Michael Waller
Colunista
Em 2022, tive o privilégio de publicar a primeira edição do livro sobre os vinhos dos Altos Montes. Escrever aquela obra foi um dos processos mais prazerosos da minha trajetória, não apenas pelo desafio técnico, mas pela rede de amizades que se fortaleceu em Flores da Cunha e Nova Pádua. Desde então, nunca deixei de visitar a região.
Nos últimos três anos, realizei uma série de viagens técnicas por regiões emblemáticas como a Toscana, o Piemonte, o Douro e a Rioja. Na maioria dessas ocasiões, fiz questão de levar na bagagem exemplares do meu livro sobre os Altos Montes para presentear os produtores europeus. O que mais me chama a atenção nessas trocas é a reação em dois tempos: primeiro, o impacto. Muitos ficam surpresos ao descobrir que o Brasil possui diversas regiões produtoras e que os Altos Montes lideram o volume de produção nacional. No segundo momento, essa surpresa invariavelmente se transforma em uma curiosidade profunda pelo nosso terroir e pelos detalhes da nossa produção.

Testemunhar esse interesse internacional valida a percepção de que a vocação da região vai muito além de uma promessa. Embora o foco atual seja a consolidação junto ao consumidor brasileiro, apresentar esse ecossistema para o mundo é um passo estratégico. É a forma mais tangível de demonstrar que os Altos Montes entregam uma qualidade técnica que rompe fronteiras e que, para além do vinho, carrega a expressão e a identidade de um povo, de uma comunidade!

Observar a região com o distanciamento de quem viaja e retorna permite identificar com clareza a efervescência do momento atual. O enoturismo em Flores da Cunha e Nova Pádua deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade vibrante, com investimentos que estão transformando a paisagem local. Um exemplo claro é a grande obra em andamento no centro de Flores da Cunha, que contará com um novo hotel, elevando significativamente a infraestrutura para receber visitantes do mundo todo.
Além do cenário físico, a diversidade de produtos e o amadurecimento técnico da Indicação de Procedência (IP) são notáveis. Pude participar de algumas degustações do conselho regulador da IP e posso afirmar: a cada ano, os vinhos postulantes ao selo de IP confirmam que o rigor e a qualidade seguem em ascensão. É um ecossistema que não para de agregar novos produtos e atrair os holofotes do mercado.
Todo esse contexto de crescimento e inovação me motivou a retornar à escrita. A Associação dos Produtores de Vinhos dos Altos Montes me convidou para escrever uma nova edição do livro da região. A obra, que falava de 14 produtores associados naquele momento, ganha nesta nova edição 21 histórias genuínas de vinícolas que hoje fazem parte da Apromontes.

Nos próximos meses, será lançada a segunda edição do livro dos Altos Montes, totalmente atualizada para refletir essa nova fase. Sinto-me, acima de tudo, um porta-voz dessa região e pretendo continuar esse trabalho de divulgação não apenas através do livro e dos canais onde já comunico sobre vinho, mas também com artigos periódicos neste blog.
O compromisso é seguir contando a história desse terroir, garantindo que o vigor do trabalho dessa comunidade continue ganhando voz e espaço em todas as fronteiras.
Um brinde aos Altos Montes!